domingo, 27 de março de 2016

ESTUDAR OS FUNDAMENTOS


 Frater Lucas Madsen

Essa pode ser a melhor resposta para toda estagnação. Se um conhecimento não está fazendo sentido, se uma técnica não está trazendo os resultados esperados, se uma ideia perdeu sua aplicabilidade... Não será isso uma grande falta de estudo dos fundamentos?

Na minha cabeça, o fundamento é que estabelece a base e que, ao mesmo tempo, justifica todo o sistema que embasa. Em um esporte, estudar os fundamentos significa entender os passos mais básicos que são permitidos pela regra, compreender os movimentos mais simples, entender a mecânica. Em uma disciplina, significaria entender os pressupostos teóricos, os objetivos, os mecanismos pelos quais se atua para atingir o conhecimento.

Muitas vezes, os fundamentos não são muito entusiasmantes para quem os estuda ou treina. Parecem coisa de iniciante, técnicas que nunca poderão ser utilizadas na realidade. Frequentemente, quando os estudamos, somos incapazes de perceber como o mestre faz para utilizá-los. No xadrez, aprendemos que é preciso primeiro assegurar controle sobre o meio do tabuleiro e abrir espaço para desenvolver todas as peças. Mas quando vemos um profissional jogando, ele pode escolher começar sua abertura pelos cantos, mantér peças presas até o meio do jogo.. E assim, parece cuspir em tudo que o iniciante está aprendendo.

Mas, talvez, a maestria consista justamente em ser capaz de compreender o fundamento o suficiente para ser capaz de aplicá-lo de maneiras não óbvias.

Como observadores, às vezes sentimos a ânsia de repetir os movimentos complexos dos mestres. O faixa branca quer ter a agilidade dos punhos de seu mestre, manejar as armas com sua desenvoltura... O jogador mediano quer executar os dribles mais bonitos, fazer jogadas criativas, aproveitar do razoável talento que desenvolveu.

Talvez o que diferencie o mediano do amador seja a capacidade de imitar alguns dos movimentos do mestre. Enquanto o amador pena para manter o equilíbrio em um paço simples, talvez o mediano seja aquele que foi capaz de dominar minimamente a base, a ponto de executar alguns movimentos mais difíceis. É aquele que entendeu a disciplina, e por isso é capaz de desvendar seus códigos e escrever algumas frases que os utilizam.

O que incomoda o mediano, no entanto, é que ele é incapaz de ir além desse ponto. Por mais que se esforce, não consegue superar o próprio limite a que parece ter chegado.

Se todo conhecimento é espiral, ou seja, se é um constante retorno circular que, no entanto, avança a cada volta, então a solução de saída para o mediano é estudar de novo a base. Quando estudou da primeira vez, terá entendido o simples. Quando avança para o mais complexo, consegue compreender para que aquela base serviu. Estudar a base de novo o fará ver tudo com novos olhos, olhos de quem sabe para que serve, como se aplica.

Por que falar disso em um blog sobre espiritualidade? Porque agora entendo que talvez a frase de um monge budista de vários anos atrás tenha finalmente entrado em mim. Dizia ele – de uma forma que talvez beire a arrogância ou a confiança absoluta em seu método de iluminação – que todas as religiões possuem em si o cerne da verdade, mas que o budismo é aquela que oferece o caminho mais rápido para o entendimento dela. Assim, enquanto tantas outras dam voltas até chegar ao centro, os budistas caminham em linha reta.

Não sou conhecedor da verdade e nem um iluminado, de tal forma que não posso fazer testemunho do que diz o monge. Mas o que sei dizer com certeza é que, muitas vezes, textos sobre espiritualidade nos empurram daqui para lá e de lá para cá, desenvolvem várias faculdades, nos ensinam coisas interessantes, mas falham em nos mostrar o fundamento. Resultado: ao final estaremos no ponto de início, fazendo as perguntas mais basilares: por que? Para que? Para quem?

Se arriscar mais um parágrafo, finalmente direi: não será essa a base da violência e intolerância religiosa inútil? A atenção excessiva aos detalhes? A compreensão equivocada de uma arte sublime, ainda não dominada por um leitor indisciplinado? Cada situação exige uma postura diferente de uma pessoa, mas o tolo tende a buscar regras gerais onde há apenas adaptação a uma situação específica. O segredo do mestre é a chave que abre a porta para a criatividade.

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

APELLATIO FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS


VERSÃO INTEGRAL
TRADUÇÃO COMPLETA DO TEXTO

Por FRC Mário Sales do blog Imagináiro do Mário.

"Nós deputados do principal colégio dos irmãos da Rosa-Cruz, constituímos residência visível e invisível nesta cidade, pela bondade do Altíssimo, para o qual estão voltados os corações dos justos. Mostramos e ensinamos a falar todas as espécies de línguas, para que possamos livrar os homens, nossos semelhantes, de erro mortal"

De um Cartaz colocado nas ruas de Paris no século XVII

Documento publicado em Janeiro de 2014, já mundialmente conhecido por todas as jurisdições da AMORC, e traduzido em todos os idiomas, menos no Português, o Manifesto abaixo tem grande eloquência e por isso, tomamos a liberdade de publicá-lo em nossa língua, de forma a que todos os leitores de língua portuguesa tenham acesso ao seu teor.
Aqui segue a tradução deste singelo manifesto, que acompanha a linha do Positio Fraternitatis de 2001.
Ao final, a fala da Grande Mestra da Grande Loja de Língua Inglesa, sóror Julie Scott, sobre este manifesto. Somente em Inglês.



MANIFESTO

Appellatio
Fraternitatis Rosae Crucis

1614-2014

Salutem Punctis Trianguli

Em 1614, os rosacruzes saíram de seu anonimato ao publicar o "Fama Fraternitatis". Quatro séculos mais tarde, nós, Deputados do Conselho Supremo da Antiga e Mística Ordem da Rosacruz, fazemos um chamado aos homens e mulheres de boa vontade, a fim de que se juntem conosco para trabalhar na reconciliação da humanidade consigo mesma, com a Natureza e com a Divindade. É por isso que colocamos este "Appellatio" sob os auspícios da espiritualidade, do humanismo e da ecologia.







1a EDIÇÃO JANEIRO DE 2014


Estimado Leitor

Em 1614, fazem pois quatrocentos anos, uma misteriosa fraternidade se deu a conhecer quase simultaneamente na Alemanha, França e Inglaterra, através da publicação de um manifesto intitulado "Fama Fraternitatis Rosae Crucis". Naquela época, este texto provocou numerosas reações, particularmente entre os pensadores, os filósofos e os líderes das religiões vigentes, especialmente os da Igreja Católica. De forma geral, este Manifesto convocava à uma Reforma Universal, tanto no âmbito religioso como no político, filosófico, cientifico, econômico, etc. Os próprios historiadores fazem referência ao fato de que a situação era muito caótica em vários países da Europa naquela época, a ponto de se falar abertamente em uma "Crise Europeia".

Recordemos que, ao Fama Fraternitatis se seguiram mais dois Manifestos:"Confessio Fraternitatis" e "As Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreutz", publicados em 1615 e 1616, respectivamente. Os autores destes Manifestos se identificavam como membros da Fraternidade dos Rosacruzes e pertenciam a um círculo misterioso conhecido como "Círculo de Tübingen". Todos eram apaixonados pelo hermetismo, a alquimia e a Cabala. Alguns anos mais tarde, em 1623, esta Fraternidade se deu a conhecer mais ainda, através da colocação nas ruas de Paris, de um cartaz enigmático: "Nós deputados do principal colégio dos irmãos da Rosa-Cruz, constituímos residência visível e invisível nesta cidade, pela graça do Altíssimo, para o qual estão voltados os corações dos justos. Mostramos e ensinamos a falar todas as espécies de línguas, para que possamos livrar os homens, nossos semelhantes, de erro mortal"

Esta "Appellatio" não tem como meta expor aqui a história dos rosacruzes, nem tão pouco seus ensinamentos. Através deste Manifesto, desejamos antes de mais nada celebrar o aniversário de quatrocentos anos da publicação do "Fama Fraternitatis", Manifesto fundador da rosacruz no sentido histórico. Se dissemos "histórico", é por que , no sentido tradicional, esta Ordem tem suas origens nas escolas de mistério do Antigo Egito, durante a 18a dinastia. Michael Maier, célebre rosacruz do século XVII, declarou em uma de suas obras:"Nossas origens são egípcias, bramânicas, dos Mistérios de Elêusis e da Samotrácia, dos Magos da Pérsia, dos Pitagóricos e dos Árabes".

Fiéis a nossa tradição, publicamos em 2001 um Manifesto intitulado "Positio Fraternitatis Rosae Crucis", no qual damos nossa posição em relação ao estado em que se encontra a humanidade, em especial através de suas maiores áreas, quais sejam: economia, política, tecnologia, ciência, religião, moral, arte, etc., sem deixar de lado a situação do campo ecológico. Este Manifesto, que alguns historiadores colocam na mesma linha que os precedentes, tem sido lido por milhões de pessoas em todo mundo e para muitas tem sido um verdadeiro suporte para reflexões e meditações. Em certos países, sua leitura foi aconselhada aos estudantes; em outros, foi posto a disposição do público em bibliotecas municipais e nacionais; sem mencionar todos aqueles e aquelas que o leram pela internet.

Quatro séculos depois do "Fama", treze anos após o "Positio", nos pareceu necessário fazermos uma vez mais ecoar nossas preocupações com a humanidade. Com efeito, o tempo passa mas o futuro que se descortina década após década, ano após ano, seque sendo muito preocupante. A "crise", como se chama comumente, parece haver se instalado por muito tempo em uma grande quantidade de países. Mesmo assim não nos sentimos pessimistas em relação ao futuro e muito menos apocalípticos. Em "Profecias dos Rosacruzes", publicadas em dezembro de 2011, sobre este tema, pode-se ler o seguinte: "Somos otimistas em relação ao futuro...Mas além das aparências, o período difícil que atravessamos constitui um "passo obrigatório" que deverá permitir a humanidade transcender e renascer como aquilo que realmente é.

Do mesmo modo que o "Positio", o "Appellatio" não se dirige à uma elite, seja qual seja, mas sim a todos aqueles que tenham conhecimento de sua publicação e tenham tempo para lê-la. Alguns a considerarão alarmista e outros, um pouco utópica. Com segurança, não é dogmática nem ideológica. Através dela, queremos sinceramente expressar idéias que não são novas nem originais em si, particularmente para os Rosacruzes, mas que segunda nossa opinião, merecem mais do que nunca uma reflexão. De fato, desejamos lançar um chamado à espiritualidade, ao humanismo e a ecologia, condições obrigatórias, segundo nossa opinião, para que a humanidade se regenere em todos os aspectos e conheça a felicidade a qual aspira.

O Conselho Supremo da A.M.O.R.C.

CHAMADO A ESPIRITUALIDADE

Pensamos que a crise que atualmente castiga um grande numero de países, para não dizer todos, não é exclusivamente social, econômica e financeira. Trata-se em realidade, das conseqüências da crise da civilização, no sentido global do termo. Dito de outro modo, é  a própria humanidade que está em crise. Mas de que tipo de crise falamos? Embora tenhamos respondido em parte esta pergunta no “Positio”, nos parece necessário voltar atrás e dar mais detalhes de nosso pensamento.Tendo em conta nossa filosofia e nossos ideais, consideramos que se trata de um dever que diz respeito tanto aos rosacruzes quanto aos cidadãos, que todos somos. Em relação ao exposto, e contrariamente a todos os que foram capazes de nos censurar, a importância que damos a espiritualidade nunca negou o interesse que temos no plano  material, posto que a meta final de nossa busca é , desde sempre, poder conseguir o domínio da vida.
Em primeiro lugar cremos que a humanidade está numa crise de espiritualidade. Pensamos que este fato tem duas causas principais:sucede que as grandes religiões estabelecidas desde séculos já não dão uma resposta as perguntas essenciais que se fazem mulheres e homens de nossa época.Tanto sua doutrina quanto suas regras morais já não se adaptam a nossa maneira de viver, razão pela qual as pessoas as abandonam cada vez mais, mesmo com o custo de criar um enorme vazio espiritual que muitas pessoas nem sequer tratam de preencher. Paralelamente nos países chamados desenvolvidos a sociedade se tem tornado cada vez mais materialistas, no sentido de que estimula as pessoas a buscarem o bem estar através de posses materiais e de um consumismo imoral. Esta conduta causou um aumento considerável do poder do dinheiro e perverteu seu uso. De meio para adquirir coisas necessárias, se transformou num fim em si, algo que se quer possuir, quando na realidade não é absolutamente nada por si mesmo.
Isto significa que as religiões atuais não tem futuro?Antes de responder esta pergunta queremos observar que respeitamos a todas as religiões, por tudo de melhor que tem a oferecer aos seus fiéis, para que eles possam viver a sua fé, dia após dia. Mas, tal como dissemos anteriormente,as consciências e as mentalidades tem evoluído muito desde sua aparição de maneira que suas crenças parecem ter sido superadas aos olhos de um número cada vez maior de pessoas, especialmente entre os jovens. Como não puderam, não souberam ou não quiseram atualizar seus ensinamentos acreditamos que estão destinadas a desaparecer a médio prazo.Então, só restarão delas os monumentos que construíram para ampliá-las ao longo dos séculos, assim como os textos que as definem, incluindo os que consideram sagrados, como a Bíblia, o Corão, os Upanishads, o Triptaka, etc.
Voltando ao assunto do dinheiro, não se trata de cair na caricatura da demagogia. Sendo uma moeda de troca, consideramos que é uma necessidade para viver em sociedade. Todos precisamos dele para adquirir o necessário para nosso bem estar material e para satisfazer os prazeres legítimos que a existência pode nos oferecer. Entretanto, com o passar do tempo, ele adquiriu demasiada importância, ao ponto de condicionar e governar praticamente todos os setores da atividade humana. Atualmente, é objeto de um verdadeiro culto que substitui a religião e que reúne grande número de adeptos no mundo. Desgraçadamente, todos os dias sacrificam-se em seu altar os valores éticos mais elementares ( a honestidade, a integridade, a igualdade, a solidariedade, etc.) de tal maneira que representa, mais do que nunca, um vetor de degradação.
Não há porque concluir por causa do exposto acima que os Rosacruzes são partidários do "voto de pobreza" e que pensam que a riqueza material e a espiritualidade são incompatíveis entre si. Desde que o ser humano apareceu na Terra, sempre buscou melhorar suas condições de vida e ser feliz. Esta tendência é parte intrínseca de sua natureza profunda e é preciso incluí-la no processo que chamamos "evolução". Entretanto, isto não quer dizer que o propósito da existência seja tornar-se rico, mas não é natural nem normal aspirar a ser pobre.Por outro lado, o fato de estarmos desprovidos material e financeiramente não faz que sejamos melhores no aspecto humano e não é considerado um critério de elevação espiritual, como tão pouco o é o fato de ser rico.
Segundo os rosacruzes, a felicidade a que aspiram os seres humanos mais ou menos conscientemente, se acha no equilíbrio entre o material e o espiritual, e não na exclusão de um ou de outro. É esta a razão pela qual qualquer indivíduo que se dedica unicamente à espiritualidade, ao ponto de privar-se dos prazeres legítimos da vida, não pode ser feliz. E o mesmo sucede com aqueles que fazem de suas posses materiais o único fundamento de seu bem estar e de sua felicidade. Isso explica porque uma quantidade cada vez maior de pessoas que se consideram abastadas, se sentem profundamente infelizes. Se é assim é porque sofrem de um vazio interno que "todo ouro do mundo" não pode preencher. Daí vem o ditado "o dinheiro não compra(traz) felicidade", embora de certo modo seja capaz de contribuir para alcançá-la.
Se admitimos que o ser humano não é composto exclusivamente de um corpo material mantido vivo mediante um conjunto de processos fisioquímicos, mas também possui uma alma, podemos facilmente compreender que esta necessita também de certa forma de alimento: ou seja, a espiritualidade. Mas o que é espiritualidade? Com base no que já dissemos antes, a espiritualidade transcende a religiosidade. Dito de outro modo não se limita a crer em Deus e a seguir uma crença religiosa, por mais respeitável que ela seja. Em realidade, consiste na busca do sentido profundo da existência e em despertar gradualmente o melhor de nosso ser. Entretanto esta busca de sentido e aperfeiçoamento está cruelmente ausente na atualidade, daí se origina o estado caótico do mundo e o desanimo em que mergulhou nas últimas décadas.
A maior parte das pessoas, sem distinção de países ou de nações, experimenta a sensação de encontrar-se em um túnel obscuro cuja saída ninguém conhece, nem sequer aqueles que os dirigem e os governam. Por outro lado não tem consciência de que a luz que esperam ver brotar , somente poderá vir deles mesmos, e em nenhum caso de uma fonte externa. Isto nos traz de volta a espiritualidade e a necessidade de buscar as soluções para os problemas que pesam sobre os ombros da humanidade fora do mundo material. Mas talvez você seja daqueles que não crê na existência da alma, e obviamente está plenamente no seu direito. Em tal caso, se você quiser, deixe-nos fazer as seguintes perguntas, para serem respondidas no tempo de cada um:
- Ao que você atribui ao que comumente se chama "voz da consciência"?
- Como você explica a aptidão que tem o ser humano de demonstrar, entre outras virtudes, sentimentos como a benevolência, a generosidade, a compaixão e o amor?
- Realmente acredita que as mais formosas obras de arte, sejam pinturas, esculturas, musica ou qualquer outra, se originaram primeiro nas mentes daqueles ou daquelas que as criaram?
-Como se explica que milhões de homens e mulheres no mundo tenham experimentado a morte clínica, para logo voltar a vida com a lembrança do que "viram" e "ouviram" neste local que comumente as pessoas chamam de "o além"?
-Você realmente crê que, se a existência da alma fosse apenas uma quimera, os maiores pensadores e filósofos que a humanidade conheceu não a haveriam admitido como uma verdade óbvia?
Todos os seres humanos certamente possuem uma alma. Do nosso ponto de vista é ela que nos converte em um ser vivo e consciente, capaz de pensar e de sentir emoções. Do mesmo modo, é nela que se encontra o que de melhor existe na natureza humana. Se vivemos na Terra é precisamente para conscientizar as virtudes e expressá-las através de nossos juízos e nossa conduta. Desgraçadamente demasiado poucas pessoas se dedicam a isso, incluindo entre estes os crentes e temos aqui a explicação de porque a maledicência, a intolerância, o egoísmo, o ciúme, a prepotência e o ódio estão também presentes no mundo com todas as suas consequências, em termos de injustiças, conflitos, desigualdades e sofrimentos. Esclarecendo que o mal só existe pela ausência do bem e tem sua origem unicamente no comportamento humano. Não é pois, nem obra de Deus, nem obra do diabo, que nunca existiu, como tampouco os demônios que se supõe, executam suas ordens.
E aonde fica Deus agora? Durante séculos os crentes viram nÊle um ser antropomórfico que residia em algum lugar dos céus e que controlava o destino de todos os seres humanos. Zelosos em agradá-lo com o objetivo de conseguir seus favores, obedeceram e continuam obedecendo os preceitos apregoados pelas religiões cuja base se acha em seus Livros Sagrados. Mas é preciso admitir que crer em Deus e conformar-se com uma crença, que se diz que Ele inspirou, não basta para ser feliz. Caso contrário, seriam felizes os milhões de crentes através do mundo, com exceção dos ateus. E, claro, não é o caso. Isso significa que a felicidade a que aspira qualquer ser humano se encontra além da religiosidade. Acha-se, de fato, na espiritualidade, no sentido que atribuímos acima a este termo.
Antes de expormos a você nosso conceito de Deus, porque cremos que Ele exista, e porque o ateísmo, embora respeitável em si, é um erro de julgamento: sejamos crentes ou não, ninguém pode negar a existência do Universo. Então, do ponto de vista racional, o Universo é necessariamente o efeito de uma causa criadora. E posto que está regido por leis que os próprios cientistas admiram, segue-se que esta causa é muito inteligente. Partindo disso, porque não atribuir esta causa a Deus e ver nEle a inteligência absoluta e impessoal que deu origem a um centro de energia com a dimensão de um átomo, o qual continha potencialmente o conjunto inteiro das galáxias, das estrelas, dos planetas e de todos os astros que atualmente existem, incluindo nossa Terra.
A verdadeira pergunta que devemos fazer a respeito de Deus não é se Ele existe ou não, mas sim saber em que medida intervém na vida dos seres humanos. Em nosso ponto de vista, Ele o faz na medida que respeitamos as leis mediante as quais Ele se manifesta no Universo, na Natureza e mesmo no ser humano. Isto significa que devemos estudar estas leis, coisa que o rosacruz sempre tem feito. Vocês observaram que nossa maneira de estudar a Deus e o papel que desempenha em nossa existência é mais científica que religiosa. A A.M.O.R.C. jamais se opôs à ciência; pelo contrário. É por isso que a Universidade Rosacruz Internacional e a A.M.O.R.C. as tem patrocinado e apoiado, incluindo uma seção de ciências físicas.
Mais do que nunca, é tempo de passar da religiosidade à espiritualidade, quer dizer, chegou a hora de substituir definitivamente a simples crença em Deus pelo conhecimento das leis divinas que no fim das contas são as leis universais, naturais e espirituais. É precisamente nesse conhecimento e na sabedoria que provém dele, que se acha o bem estar que todos buscamos, incluindo o bem estar material. Um antigo ditado rosacruz reza que "o homem tem que se libertar da ignorância e unicamente da ignorância". Com efeito é na ignorância que se origina tudo de pior que o ser humano é capaz de fazer contra si, contra os demais e seu meio ambiente. Ela também é a fonte das múltiplas superstições que aviltam a humanidade e a impedem de alcançar seu pleno desenvolvimento. Então, é hora de dar à sua vida uma orientação espiritualista. Ou seja, não ser apenas um ser vivo; ser também uma alma vivente...
Talvez você esteja se perguntando sobre nossa opinião sobre o secularismo, o pensamento laico. Enquanto as religiões clássicas e modernas, orientais e ocidentais, estão fundamentadas e estruturadas de acordo com sistemas autocráticos, pensamos que o secularismo é uma absoluta necessidade, com o objetivo de preservar a sociedade contra qualquer tipo de desvio teocrático. Sendo assim esperamos que os tempos nos conduzam até a espiritualidade, assumindo-a como uma busca de conhecimento e sabedoria e que ela passe a fazer parte dos nossos hábitos, para assim dirigirmos uma vida cidadã. A partir de então, política e filosofia serão a mesma coisa, e serão inspiradas pelo "amor à sabedoria", de modo semelhante ao apogeu da civilização grega. Lembremos que este foi o berço da democracia e que a ele devemos entre outras coisas a noção de república. Lembremos ainda que a maioria dos filósofos que lhe deram vida eram espiritualistas.

CHAMADO AO HUMANISMO

Se não lhe apetece responder nosso chamado à espiritualidade, convidamos você a demonstrar seu humanismo em todos os dias de sua vida. Na "Declaração Rosacruz dos Deveres do Ser Humano", editada pela A.M.O.R.C. em 2005, diz o artigo 10: "Todo indivíduo tem o dever de considerar a humanidade inteira como sua família, e de comportar-se em qualquer circunstância e em qualquer lugar como um cidadão do mundo, tomando assim o humanismo como a base de seu comportamento e de sua filosofia". É evidente que se todos os seres humanos cumprissem este dever , uns com os outros, a palavra humanidade faria todo sentido, de maneira que seria na Terra a viva expressão da fraternidade, em sua aplicação mais nobre e mais universal. Desse modo, deduz-se que a paz reinaria entre todos os povos e todas as nações.
Mas que quer dizer "ser humanista"? Em primeiro lugar trata-se de considerar que todos os seres humanos são irmãos de sangue e que as diferenças que se notam entre eles são apenas aparentes. Sendo assim, não apoiamos o dogma de que toda a humanidade descenderia de um único casal original, chamados Adão e Eva, segundo o Antigo Testamento. Seja do ponto de vista ontológico, seja do ponto de vista científico, tal afirmação não tem fundamento. Com efeito, tal ascendência, por causa da consanguinidade, teria causado rapidamente uma grande degeneração física e mental. Acreditamos que os seres humanos emergiram do reino animal, que tem se submetido a um processo de evolução extremamente longo e lento da vida, tal como se manifestou desde sua aparição na Terra. Em qualquer caso, todos compartilhamos o mesmo genoma e o sangue que flui pelas nossas veias é o mesmo. Mais do que uma fraternidade, formamos a humanidade, em si mesma.
Como sabem, alguns antropólogos afirmam que existem tres, ou mesmo quatro raças: branca, amarela, negra e vermelha. Fazem alguns anos esta distinção foi abandonada pela maioria dos cientistas que preferem adotar a noção global de espécie humana. Ao fazer isso, por acaso esperam retirar dos racistas qualquer argumento do tipo fisiológico? Mesmo assim, não é necessário ser racista para admitir a existência de diferentes raças, já que não se pode negar por exemplo que um europeu, um asiático e um africano correspondem a tipos humanos que muito claramente se distinguem em sua morfologia. Racismo seria pensar e pregar que uma raça seja superior a outra, particularmente aquela a que pertencemos. Sem dúvida, está claro que o verdadeiro humanista considera que todos os seres humanos são as células de um mesmo corpo: o corpo da humanidade.
Um grande numero de pessoas tendem a preferir aqueles que pertencem a sua mesma "raça", a sua mesma nacionalidade, aqueles que compartilham as mesmas idéias políticas ou pertencem a mesma religião, já que isso os reconforta e lhes dá segurança. Sem dúvida não é uma razão para rechaçar os demais, ou pior ainda, odiá-los. Um humanista digno deste título, respeita todas as diferenças, com a condição, naturalmente, que não afetem nem a dignidade, nem a integridade de uns e de outros. Quer dizer, demonstra tolerância, e jamais se comporta como se fosse ou se sentisse superior. Isto é uma demonstração de inteligência, já que a intolerância em todas as suas formas é geralmente um atributo da  insensatez e (ou) do orgulho. Desgraçadamente esta deficiência, ou melhor dizendo, este defeito, é um dos mais comuns e dele partem muitos conflitos que opõem os homens entre si.
A propósito da tolerância, lembramos que um dos lemas da A.M.O.R.C é "a maior tolerância na mais total independência". E esta a razão pela qual a Ordem é formada por cristãos, judeus, muçulmanos, etc., mas também por pessoas que não tem uma religião determinada. Alguns inclusive são ateus, mas admiram o caráter de fraternidade de nossa Ordem. Por outro lado, a Ordem reúne desde sempre homens e mulheres de todas as categorias sociais, e que tem opiniões políticas diferentes, inclusive opostas. Se para além de suas diferenças, os rosacruzes são capazes de respeitar-se mutuamente e de sustentar relações harmoniosas, porque a humanidade não poderia fazer o mesmo?
Você seguramente conhece o mandamento de Jesus: "Amai-vos uns aos outros!" que esclareceu dizendo que não devemos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam. Sejamos ateus ou crentes, e no último seja qual for a nossa religião, não se pode negar que este mandamento resume por si só o ideal de compromisso que cada um deveria ter em suas relações com os outros. E se não somos capazes de ver em Jesus um mestre espiritual, ou um messias, ou um redentor venerado no Cristianismo cada um e todos deveriam pelo menos reconhecer que ele foi um humanista excepcional e que revolucionou os costumes de sua época pregando a solidariedade e a paz, ao ponto de recomendar que amássemos nossos inimigos.
A sociedade atual se tornou demasiado individualista já que o "cada um por si" se tornou um costume cultural. Sob o efeito combinado do materialismo e da crise econômica e social que o mundo atravessa faz algum tempo, cada vez mais as pessoas tendem a se preocupar apenas com seu próprio bem estar e a ser indiferente ao que se passa com os demais. Este tipo de atitude afasta as pessoas umas das outras e contribui para desumanizar a sociedade. A isto agreguemos o fato de os meios de comunicação terem substituído o intercâmbio direto, de modo que não temos mais tempo para falar com os nossos familiares ou com nossos vizinhos, enquanto nos orgulhamos de termos um monte de amigos (virtuais) nesta ou naquela rede social. Que paradoxo! Precisamos reaprender a dialogar no contato físico com os outros, de coração a coração, ou melhor, de alma a alma.
Podemos ler no "Positio": "Percebemos que cada vez mais aumenta o abismo entre os países mais ricos e mais pobres. Pode-se observar o mesmo fenômeno em cada um dos países mais miseráveis e nos mais favorecidos". A situação não para de piorar já faz muito tempo. nenhum humanista pode resignar-se a aceitar esta situação, particularmente porque a pobreza e a miséria não são realmente uma fatalidade, mas sim o resultado de uma péssima gestão dos recursos naturais e dos produtos da economia local, regional, nacional e mundial. Isto significa que a pobreza e a miséria se deve essencialmente ao egoísmo dos homens e a sua total falta de solidariedade. Sem dúvida, estando consciente ou não, sua sobrevivência depende agora mais do que nunca de sua aptidão a compartilhar e cooperar, não somente entre cidadãos de um mesmo país, mas também entre países. Em termos místicos, diríamos que, sob os efeitos da globalização, seus respectivos karmas estão ligados de tal maneira que nenhuma nação poderá prosperar a longo prazo sem preocupar-se com aquelas outras que ainda estão necessitadas.
Agora que fizemos referência a globalização,acreditamos que ela é irreversível e, pois, é inútil opor-se a ela. Desde que o homem apareceu na face da Terra, não parou de estender seu campo de ação e relação, primeiro de um clã a outro, de uma cidade a outra, de um país a outro e, finalmente, de um continente a outro. Com o desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação, o mundo se tornou um só país. Trata-se de uma evolução com a qual deveríamos alegrar-nos, já que representa um vetor de mútua compreensão e de paz entre os povos. Sem dúvida este processo está apenas no início e enfrenta a diversidade de culturas, de mentalidades, de sistemas econômicos e políticos, de modo que ainda está na etapa de exacerbação das desigualdades. Esta é a razão pela qual pensamos que se deve acelerar o processo e dar-lhe uma orientação humanista, para lograrmos o bem estar de todos.
Abordemos agora um ponto totalmente diferente: o individualismo não é o único obstáculo que tem o humanismo, tal como o imaginam e supõem os rosacruzes; falemos também da importância que as máquinas tem adquirido na mecanização e na robotização da indústria. De fato, tais máquinas deveriam limitar-se a auxiliar os seres humanos nas tarefas mais difíceis, mas, ao contrário, elas os estão substituindo, por razões de rentabilidade e de ganância. Esta maquinização excessiva da sociedade tem contribuído não só para desumanizá-la, mas também para aumentar a enfermidade social que é o desemprego. Logo, se tornou urgente devolver o lugar ao ser humano em todos os setores aonde seja possível, rompendo com este dogma materialista que consiste em pensar e dizer que "tempo é dinheiro".
Ademais os seres humanos não são unicamente irmãs e irmãos de sangue, sem importar as "raças"; são também almas gêmeas que provém de uma mesma fonte espiritual, ou seja, a Alma Universal. A diferença intrínseca entre eles é seu nível de evolução interior, quer dizer, o grau que cada um alcançou na consciência de sua natureza divina. Acrescentamos que apoiamos a idéia de que cada indivíduo reencarna o número de vezes que seja necessário para alcançar esta consciência e o estado de sabedoria, tal como podemos manifestá-lo nesta Terra. Se admitimos este principio, ou melhor dizendo esta lei, compreenderemos que as diferenças que existem entre os indivíduos quanto à sua maturidade, sua profundidade de espírito, seu senso de responsabilidade e seu humanismo, se devem essencialmente ao fato de que alguns tiveram um número de reencarnações maior do que outros. Visto desse ângulo, nenhum ser humano pode ser superior a outro; simplesmente alguns são mais evoluídos espiritualmente que outros.
Mesmo que não creia em Deus, é preciso que um humanista tenha fé no ser humano e na sua capacidade de superar-se, transcender-se, para expressar o melhor de si mesmo. É certo que, quando se observa a historia da humanidade e sua atual situação, pode-se ter a impressão de que os seres humanos são profundamente individualistas e que se dedicam a prejudicar-se mutuamente, sob os efeitos de suas debilidades e de seus defeitos. Entretanto, para além destas aparências, sua consciência tem evoluído. Em todo o mundo, cada vez mais pessoas se rebelam contra as injustiças e as desigualdades, se manifestam contra as guerras e a favor da paz, denunciam as ditaduras e outros regimes totalitários, e exortam a todos a uma fraternidade mais forte, ajudam os que nada possuem, se envolvem na proteção e conservação da natureza, etc. Se assim sucede é porque todo ser humano, sob o impulso de sua alma, aspira, com disse Platão, ao Bem, ao Belo e a Verdade. Simplesmente deve tornar-se consciente e, consequentemente, agir.
No transcurso da história, os homens tem demonstrado que são capazes de realizar coisas extraordinárias quando recorrem ao mais nobre e engenhoso da natureza humana. Seja na área da arquitetura, da tecnologia, da literatura, das ciências ou das artes, ou também no que se refere as relações entre cidadãos de um mesmo país ou de nações distintas, soube demonstrar sua inteligência, sua criatividade, sua sensibilidade e provou que são capazes de solidariedade e fraternidade. Apenas constatar este fato é reconfortante já que nos confirma que o ser humano está inclinado a fazer o bem e a promover a felicidade de todos. É precisamente por esta razão que é necessário ser humanista e ter fé no ser humano.

CHAMADO A ECOLOGIA

Pensamos que não se pode ser humanista sem ser ecologista. Com efeito, como se pode querer a felicidade de todos os seres humanos sem preocupar-se com a conservação do planeta em que vivemos? Está claro que a maioria das pessoas sabe que está em perigo e que os humanos são, em grande parte, responsáveis por isto: com todos os tipos de contaminação, destruição de ecossistemas, desflorestamento excessivo, massacre de diversas espécies animais, etc. Quanto ao aquecimento global, a maioria dos cientistas está de acordo que se a atividade humana não o provocou pelo menos o tem acelerado bastante, principalmente os gases do efeito estufa. Por outro lado, entre os cientistas, vários relacionam este aquecimento com o aumento de tempestades e outros tipos de cataclismos, com tudo o que resulta em questão de perdas humanas  e destruições materiais. Seja como for, é evidente que se nada for feito a curto prazo no mundo inteiro, para deter os males que infligimos ao nosso planeta, o mesmo se tornará um local inviável para milhões de pessoas, talvez até para toda a Humanidade.
Nas civilizações antigas a Terra foi considerada a mãe de todos os seres vivos, e por isso lhe rendiam um culto, o culto da Mãe Terra. Atualmente, já não existem povos antigos como os aborígenes da Austrália, as tribos indígenas da Amazônia e os pigmeus da África para citar apenas os mais conhecidos, que conservem estas tradições. Quanto aos seres humanos modernos, passaram a olhar para ela como uma espécie de fonte que fornece diversas lucros, a ponto de explorá-la acima do razoável e em detrimento de sua saúde. Se utilizamos a palavra "saúde" ao falar de nosso próprio planeta é porque para nós trata-se de um ser vivo e inclusive, consciente. Basta que consideremos as forças vitais que ela exibe na natureza e a inteligência que expressa através de seus diferentes reinos, sem mencionar todas as coisas que constituem sua beleza. Isto é tão verdadeiro que mesmo um ateu iria endeusá-la e considerá-la uma obra prima da criação.      
Segundo os cientistas a Terra surgiu há 4500 bilhões de anos e o homem fazem mais ou menos 3 milhões de anos. Entretanto, em menos de um século, a afetamos tanto que seu futuro e o nosso estão em perigo a tal ponto que seu estado é tema de reuniões de cúpulas internacionais. Infelizmente essas cúpulas são apenas teóricas e dão lugar a decisões e consensos que não são suficientes para reverter a situação. Envolvidos em contribuir para o despertar das consciências em relação à Ecologia, a A.M.O.R.C. publicou em 2012 um "alegato por uma ecologia espiritual" que foi lido no senado brasileiro durante a cúpula da Terra, no Rio de Janeiro. Outros colóquios sobre o mesmo tema tem sido realizados em diferentes países, mas as decisões que tomaram são realmente irrisórias em relação a situação além de chocarem-se, sempre, com os interesses socioeconômicos de uns e outros.
Os países desenvolvidos entre os quais se encontram os mais ricos do mundo, tornaram-se assim principalmente privilegiando a economia em detrimento da ecologia. É evidente que se as nações em desenvolvimento seguem o mesmo modelo econômico que se baseia na superprodução e em consumismo desenfreado os problemas ambientais que vamos enfrentar vão aumentar-se e agravar-se em grandes proporções. Hoje, é infelizmente o caminho que seguem as nações emergentes, e não podemos culpá-las, se tomamos em conta o exemplo que lhes foi dado. No atual estado de coisas só nos resta esperar que, apesar de tudo, rompam com este modelo e o substituam por um sistema que associe economia e ecologia. Seria uma formosa e útil lição para toda a humanidade.
Os rosacruzes não se consideram sonhadores utópicos, preocupados unicamente com o aspecto espiritual da existência. Claro, somos místicos, no sentido etimológico da palavra, ou seja, no sentido de homens e mulheres que se interessam pelo estudo dos mistérios da vida, mas sabemos que é aqui em baixo que há de se instalar o paraíso, que as religiões situam em uma região mais alta. Para alcançá-lo, os seres humanos devem aprender a administrar com sabedoria os recursos naturais e os produtos que eles criam; daí nasce a necessidade de fazer que a economia, em todos os níveis e em todos os aspectos, beneficie com igualdade a todos os povos e a todos seus cidadãos, respeitando tanto a dignidade humana como a natureza.
Que poderia levar todos os seres humanos a desenvolver uma economia ecológica? O medo de ser vitima do aquecimento global e das catástrofes que se relacionam com ele? Aparentemente não, já que o comum dos mortais que isto só acontece com os outros. Enquanto ele não sofra na própria carne, não se preocupa, limitando-se geralmente a compadecer-se daqueles que são vítimas; é capaz até de participar de algumas ações de caridade mas logo retorna a sua vida cotidiana, esperando que tais desgraças não o atinjam. Será preciso então que muito mais pessoas se sintam afetadas para que se rendam às evidências? De toda forma, nossa Mãe Terra está muito enferma e possivelmente, em breve, torne-se inviável para um grande número de seres humanos.
Independentemente do número crescente de catástrofes naturais que se multiplicam em todo o mundo, há que se observar também que segundo alguns cientistas, a expectativa de vida, que não parava de aumentar durante as últimas décadas, na maioria dos países, começa a reverter-se. Paralelamente o número de cânceres apresenta um forte aumento. Por que? Em grande parte porque o ar que respiramos, a água que bebemos e os alimentos que absorvemos estão gravemente contaminados (nitratos, fosfatos, pesticidas, corantes, conservantes) e isso leva inevitavelmente, a desarranjos orgânicos, celulares e inclusive, genéticos. Se a isso agregamos o consumo de álcool, tabaco e outras drogas que mostram atualmente um crescimento exponencial, não nos pode assombrar o fato de que a saúde do ser humano esteja ameaçada a curto prazo.
Outro perigo, e não menor, ameaça a saúde de um grande numero de indivíduos: a enorme quantidade de ondas eletromagnéticas emitidas por computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos. Carecemos de estatísticas a respeito desta contaminação eletromagnética, mas não há dúvida de que é a causa de diversas enfermidades.


(NOTA do Tradutor: a afirmação acima é correta: "Carecemos de estatísticas a respeito desta contaminação eletromagnética". Portanto a afirmação seguinte (não há dúvida de que [esta contaminação eletromagnética] é causa de diversas enfermidades) não tem sustentação científica nenhuma, tratando-se apenas de uma opinião do autor do texto)

Não pretendemos por em discussão a utilidade destes aparelhos, mas devem ser fabricados de modo que quem os utilize não seja alvo de diversas patologias, e isto é responsabilidade de quem os fabrica e de quem os vende. Entretanto, é preciso também que se esclareça, que grande quantidade de consumidores não tem o devido cuidado no uso que fazem destes aparelhos e abusam deles em detrimento de seu bem estar. Como exemplo, tem se observado que o número de tumores cerebrais tem aumentado consideravelmente, desde o aparecimento do telefone celular, particularmente entre os jovens.

(NOTA do tradutor: Na verdade, não existe tal observação documentada e não existem trabalhos científicos que confirmem esta afirmação de que aumentaram os casos de tumores cerebrais, principalmente em jovens desde o advento dos telefones celulares. Trata-se de mera especulação)

Entretanto, uma contaminação mais metafísica afeta a humanidade: os pensamentos negativos que os seres humanos geram, sob o efeito do ódio, da maldade, do rancor, da intolerância, da ira e do ciúme, etc. Em primeiro lugar estes pensamentos atuam negativamente sobre as pessoas que os manifestam ou os emitem, mesmo que não estejam conscientes objetivamente disto. Com o tempo acabam por causar-lhes problemas físicos ou psicológicos que podem originar enfermidades graves. Em segundo lugar este s pensamentos negativos infestam o inconsciente coletivo e o impregnam de vibrações negativas, que por sua vez, alimentam situações de ódio, maldade, rancor, etc. Ao contrário, todo pensamento positivo beneficia não somente a pessoa que o criou, mas também a consciência coletiva da humanidade. Sabendo disso, os rosacruzes se dedicam fazem muitos séculos, ao que designam com o nome de "alquimia espiritual".

(Nota do tradutor: Não sei quem é o autor do parágrafo a seguir deste documento, mas o mesmo conta com minha inteira desaprovação. Como médico, e desse modo, homem ligado a ciência, me repugna ver em um documento oficial da mais nobre Ordem entre as Ordens esotéricas, defensora da liberdade científica, uma tamanha coleção de tolices, inverdades e disparates disfarçados de afirmações bondosas. Principalmente o trecho sobre vacinas causa repulsa ao dizer, sem nenhum pudor, que vacinas diminuem a imunidade de quem as usa, uma sandice descabida, ainda mais que o século XX, graças as vacinas iniciadas por Louis Pasteur, contemplaram um salto do número de pessoas vivas de 3 milhões para 7 bilhões de seres humanos, 70% graças as vacinas e 30% aos antibióticos, que começaram com a penicilina, vinda de um fungo, o Penicillium notatum. Dizer que vacinas são de alguma forma perigosas revela ignorância e um forte pendor obscurantista, inaceitável em ambiente rosacruciano. Mesmo revoltado, publico e deixo a cada um sua interpretação.)

Aonde existem doenças, existe medicina. Embora reconheçamos que, junto com a cirurgia, ela tem feito grandes progressos e tem contribuído de modo importante para aumentar a saúde ela não está livre de fraquezas e até desvios. Como na maioria das áreas de atividade humana (a medicina) está debaixo da influência do dinheiro a ponto de ficarmos tentados a pensar que a "doença é a base do comércio" dos grandes laboratórios médicos e farmacêuticos. Hoje em dia está estabelecido que uma grande quantidade de medicamentos são placebos e só tem os efeitos que alguns crêem que tenham. Quanto aqueles cujos benefícios terapêuticos estão demonstrados, muitos apresentam efeitos secundários desastrosos. Observa-se o mesmo quando se trata de vacinas; sabemos que algumas tem contribuído para destruir as defesas imunológicas naturais dos seres humanos. Uma vez mais insistimos no fato de que não somos contra a medicina e a cirurgia, mas dizer que uma ou outra só tem como única meta atender e curar seria pura hipocrisia.

(fim do referido parágrafo)

Seja na área da medicina ou em outras, os seres humanos devem permanecer o mais perto possível da natureza. Quando se afastam, rompem as leis naturais e vão contra seu próprio bem estar. Mas por ignorância, orgulho e cobiça, tem dedicado demasiado tempo a querer dominá-la, quando em realidade deveriam cooperar com ela. Cegos por seu orgulho, esqueceram que a inteligência que a Natureza demonstra é infinitamente maior que a da humanidade e que seu poder praticamente não tem limites, exceto aqueles que ela mesma se impõe. É bem provável que o homo sapiens, nome que os cientistas têm dado a nossa espécie e que literalmente significa "homens que sabem que sabem" estão, todavia, muito longe de saber o essencial: devem tudo que são a natureza e não são nada sem ela.
Para nós a Terra não é apenas o planeta aonde vivem os seres humanos. Também serve de ambiente para nossa evolução espiritual e dá a cada um a oportunidade de realizar-se como alma vivente. Isto significa que tem uma vocação tanto terrestre como celeste, exatamente os que os mais sábios entre os pensadores e os filósofos tem ensinado em todos os tempos e em todos os lugares. Até que a humanidade tome consciência desta verdade e aja de acordo com ela, o materialismo e o individualismo que prevalecem atualmente só irão aumentar, com todas as consequências negativas que vem disso, contra a própria humanidade e a natureza. Mais do que nunca precisamos restaurar a Tríade Humanidade-Natureza-Divindade que está na origem de todas as tradições esotéricas e que a civilização deveria adotar. Enquanto assim não fizer, permanecerá no estado de sofrimento atual e será incapaz de alcançar o esta de harmonia que é sal meta final.
Como sabemos todos, a Terra é também um ambiente onde vive uma multidão de animais, alguns em estado selvagem, e os demais em estado doméstico. Sem dúvida eles também possuem uma alma, individual para os mais evoluídos, coletiva para aqueles menos evoluídos. De fato todos os seres vivos tem em comum serem animados pela Alma Universal e pela Consciência que lhe é própria. Sendo assim, cada um, dependendo do lugar que ocupe na cadeia da vida e do corpo que possua manifesta esta alma e esta consciência em graus mais ou menos elevados. Por esta razão não tem o mesmo nível de inteligência e de sensibilidade. Assim, pois, não existe vazio ou fronteira entre os reinos da Natureza já que a mesma Força Vital os anima e participam do mesmo processo de Evolução Cósmica, tal qual ele se manifesta em nosso planeta. Claro, o reino humano é o mais avançado neste processo mas isto não lhe dá nenhum direito sobre os demais; ao contrário, só lhe dá obrigações...

CONCLUSÃO

Aqui estão algumas idéias que queria compartilhar com vocês mediante este "Appellatio". Com efeito cremos que é urgente darmos uma orientação espiritual, humanista e ecológica aos nossos comportamentos individuais e coletivos. Mas se tivéssemos que dar prioridade a alguma área, esta seria a ecologia. Assim, pois, se a Humanidade chegar a resolver seus problemas econômicos e sociais de maneira duradoura, e se, de forma paralela, a Terra já não puder abrigar a vida, porque a Vida, na Terra, se tornou muito difícil, para a grande maioria dos seus habitantes, que interesse e que prazer haveria em viver aqui na Terra? Neste aspecto, aqueles e aquelas que governam os países e as nações tem uma grande responsabilidade, no sentido de que tem o poder de tomar decisões e fazer que sejam aplicadas. Entretanto, se os povos não mostram interesse pela Ecologia, e não fazem nada, cada qual no seu nível, para a conservação da Natureza, é evidente que a situação piorará e as futuras gerações herdarão um planeta que não será mais do que a sombra do que era.
Em segundo lugar, embora isto possa lhe surpreender, é a humanidade e não a espiritualidade que deve ser privilegiada. Colocar o ser humano no coração da vida social, respeitando a Natureza, só pode ser um fator de felicidade e bem estar para todos sem distinção alguma. Para isto, temos que ver em cada pessoa uma extensão do mesmo UM, para além das diferenças e incluindo as divergências. Trata-se de um processo muito difícil, já que cada um tem seu Ego que tende a tornar-se individualista e o leva a preocupar-se antes de mais nada consigo mesmo, com seus entes queridos e as pessoas com as quais compartilha certas afinidades. Levada ao extremo, é esta atitude egotista, inclusive egoísta, que origina as discriminações, segregações, divisões, oposições, exclusões e outras formas de rejeição entre os indivíduos. No lado oposto, o humanismo é sinônimo de compartilhar, de tolerar, ser generoso, ter empatia, em uma palavra: fraternidade. Baseia-se na idéia de que todos os seres humanos são cidadãos do mundo.
A necessidade de ser ecologista é relativamente evidente quando observamos o estado do planeta. Da mesma maneira, todo indivíduo suficientemente sensível e inteligente, compreende porque ser humanista é algo bom, mesmo que ele mesmo não seja. Por outro lado, não existe uma razão objetiva para ser espiritualista, considerando que é impossível demonstrar a existência da alma e de Deus, mesmo com o sentido que os rosacruzes lhe dão. Assim pois, embora a espiritualidade nos pareça essencial para ser feliz e dar a vida sua dimensão completa, entendemos que se possa ser ateu. Isto esclarecido, para nós é evidente que o Universo, a Terra e a Humanidade não se originaram por um Acidente, mas estão inscritos em um Plano Transcendente, para não dizer divino. É exatamente por esta razão que temos a faculdade de estudar a Criação e fazermos perguntas a propósito do sentido profundo da existência. Neste sentido somos atores e espectadores da Evolução Cósmica, tal como se expressa no cosmos e em nosso planeta.
Talvez você seja um humanista e um ecologista mas não um espiritualista. A menos que seja totalmente materialista, isto significa que, embora não acredite em Deus, você tem fé na natureza e no homem, o que é respeitável e louvável. Isto nos permite mostrar a diferença entre um materialista e um ateu. De maneira geral, o primeiro converte suas posses materiais no seu ideal de vida, mesmo com prejuízo da natureza e sem preocupar-se com os outros. O outro, o ateu, é geralmente um crente que não se reconhece, ou alguém que perdeu sua fé no sentido religioso da palavra. Seja como for, pensamos que a espiritualidade (e não a religiosidade) é em si mesma um vetor para o humanismo e para a ecologia, já que, como explicamos anteriormente, baseia-se no conhecimento das leis divinas, no sentido de leis naturais, universais e espirituais. Qualquer um que busque o conhecimento, mesmo que ainda não o possua, é idealista por natureza.
Os antropólogos acreditam que a humanidade moderna apareceu na Terra ao redor de 200.000 anos atrás. Na escala de uma vida humana pode parecer antiga, velha, mas em comparação com os ciclos da evolução se acha apenas na adolescência, demonstrando todas as característica desta etapa da vida: está em busca de identidade, de um destino, demonstra irresponsabilidade e inclusive inconsciência, acredita-se imortal, dedica-se a todo tipo de excessos, desafia a razão e desconsidera o senso comum. Essa etapa evolutiva com toda a sua carga de dificuldades, sofrimentos e fracassos, mas também de satisfações, conquistas e esperanças é um passo necessário, que a permitirá crescer, amadurecer, florescer e finalmente realizar-se nos planos material e espiritual. Mas para isso, precisa transformar-se em um adulto.
Para concluir, em respeito a tudo que foi dito antes, desejamos mais do que nunca que a humanidade se dê a si mesma uma orientação espiritualista, humanista e ecologista para que renasça na sua própria essência e ceda lugar para uma "nova humanidade", regenerada em todos os aspectos. Os rosacruzes do século XVII já exigiam esta regeneração no "Fama Fraternitatis". Rejeitado pelos conservadores religiosos, políticos e econômicos da época, este chamado precursor só foi atendido pelos livres pensadores. Com respeito a situação atual do mundo pareceu-nos útil e necessário renovar abertamente este chamado esperando que desta vez encontre um eco favorável e um número de pessoas muito maior.

Que assim seja.

sábado, 18 de abril de 2015

CRONOLOGIA DAS ORDENS MARTINISTAS





A ORDEM DOS ELUS COHEN DO UNIVERSO

FUNDADA POR MARTINEZ DE PASQUALLY
O nome completo era Jacques de Livron Joachin de la Tour de la Casa Martinez de Pasqually. Nasceu em Grenoble, França, em 1727. Seu pai tinha uma patente maçônica emitida por Charles Stuart, Rei da Escócia, Irlanda e Inglaterra, fechada em 20 de maio de 1738, outorgando-lhe o cargo de Grande Mestre Delegado, com autoridade para levantar templos para a glória do Grande Arquiteto do Universo, e para transmitir a referida Carta Patente a seu filho maior. A patente e os poderes foram transmitidos depois de sua morte a seu filho que tinha 28 anos.

Martinez foi um grande homem que tentou durante toda a sua vida, infundir a espiritualidade à Maçonaria.


A doutrina de Martinez se expõe em um único livro que escreveu: Tratado da Reintegração dos Seres. É um comentário sobre o Pentateuco. Ele fundou uma ordem não estritamente maçônica, senão composta exclusivamente por maçons: "Ordem dos Cavaleiros Elus Cohen do Universo / Ordem dos Cavaleiros Maçons, Sacerdotes Eleitos do Universo". Esta Ordem complementava os tradicionais três graus maçônicos, Aprendiz, Companheiro e Mestre, com um sistema de Altos Graus.


Em 1774, Martinez fundou, em Montpellier, França, um Capítulo Maçônico "Os Juizes Escoceses". Entre 1755 e 1760, Martinez viajou pela França, recrutando membros para sua organização. Em 1760, fundou em Foix, França, o Capítulo "O Templo Cohen". Em 1761, fundou em Bordeaux, França, a Loja "A Perfeição Elus Escocesa". Os membros fundadores foram o Conde D'Alzac, o Marques de Lescourt, os irmãos D'Auberton, de Oasen, de Bobié, Jules Tafar, Morris e Lecembard.


Em 26 de maio de 1763, Martinez enviou sua Patente de Stuart à Grande Loja da França, informando-lhes que havia fundado em Bordeaux, um Templo de cinco graus de perfeição, dos quais Martinez era o fiador, sob os termos da patente do Rei Stuart da Escócia, Irlanda e Inglaterra, grande Mestre de todas as Lojas espalhadas sobre a face da Terra". O nome da Loja foi trocado para "A Francesa Elus Escocesa". Em 1° de março de 1765 a Grande Loja da França a aprovou e registrou esta Loja.



Em 1765, Martinez viajou a Paris, de onde organizou sua futura Loja parisiense. Em 21 de março de 1757, fundou o "Tribunal soberano dos Elus Cohen", com Bacon de la Chevaliere, como seu delegado. Desde 1770 o Rito dos Elus Cohen tinha templos em numerosas cidades: Bordeaux, Montpellier, Avignon, Foix, La Rochelle, Verssailles, Paris e Metz. Um templo se abriu em Lyon, e graças ao entusiasmo do discípulo Jean Baptiste Willermoz, esta cidade se converteu em um centro espiritual desta Ordem por muitos anos. Em 20 de setembro de 1774, Martinez faleceu em Port aux Prince, Haiti.


A Ordem dos Elus Cohen se dividia em três classes:
Primeira Classe: Continha os três graus da Maçonaria Simbólica (1) Aprendiz, (2) Companheiro e (3) Mestre e mais um quarto grau de (4) Grande Eleito ou Mestre Particular.
Segunda Classe: compreendia os chamados Graus do Pórtico ou Átrio de
(5) Aprendiz-Elus Cohen, (6) Companheiro-Elus Cohen e
(7) Mestre-Elus Cohen. Terceira Classe: continha os Graus de Templo de (8) Grande Mestre Elus Cohen
(9) Cavaleiro do Este ou Grande Arquiteto e (10) Comandante do Este ou Grande Eleito de Zorobabel. 


Além deste, existia um grau secreto: o de (11) Reau-Croix,
que não deve confundir-se com o grau Rosa Cruz, que apareceria mais tarde na Maçonaria. Neste grau, o iniciado se colocava em contato com os planos espirituais além do físico, através de invocações mágicas e práticas teúrgicas. O objetivo da Ordem era alcançar a visão beatífica do Reparador Jesus Cristo, como resposta a suas evocações mágicas.


Martinez conferiu o título de "Juiz Soberano e Superior Incógnito da Ordem" a seus discípulos Bacon de La Chevaliere, Johan Baptiste Willermoz, de Serre, Du Roy, D'Hauterive e de Lusignan.


Antes de sua morte, ocorrida em 1778, Martinez havia designado como sucessor, seu primo Armand Cagnet de Lestére, que faleceu em 1778, logo após transmitir seus poderes ao "Mui Poderoso Mestre" Sebastian de las Casas. A continuação suscitou numerosas disputas nos templos da Europa e geraram divisões que impediram unificar o Rito. Supõe-se que se transmitiu de pessoa para pessoa, dentro de cenáculos conhecidos como Areópagos Kabalísticos, de nove membros da Ordem. Um dos últimos nomes que se dispõe é o de um tal Destigny, que morreu em 1868.


Ao finalizar a Segunda Guerra Mundial, três iniciados S.I., fundaram uma Ordem Martinista dos Elus Cohen, Um deles foi o Grande Mestre Robert Ambelain (Sar Aurifer), com materiais diversos. Esta ordem pratica o caminho teúrgico dos Elus Cohen, porem é muito duvidoso que seja a continuação dos mesmos. Em 22 de agosto de 1996, Sar Aurifer vivia em Paris, França.


Nota: Em 1895, Papus admitiu possuir rituais e arquivos originais da Ordem dos Elus-Cohen, que chegaram a suas mãos, seguindo o seguinte trajeto:
1) os arquivos passaram primeiro pelas mãos de Willermoz, aproximadamente em 1782;
2) de Willermoz passaram para as mãos de seu sobrinho;
3) deste sobrinho para a viúva do mesmo;
4) desta viúva para M. Cavernier, um estudante de ocultismo;
5) que por mediação de um vendedor de livros chamado M. Elie Steel, Papus foi posto em contato com Carvenier;
6) que permitiu a Papus copiar os principais documentos.

Os ensinamentos dos Elus Cohen
Arthur Edward Waite indica os seguintes estudos dos "Sacerdotes Eleitos" ou "Elus Cohen". Os três primeiros graus são maçônicos. Os seguintes tratam de:
Quinto Grau Aprendiz Eleito Cohen: a instrução deste grau divide o conhecimento sobre a existência do Grande Arquiteto do Universo e sobre o princípio da emanação espiritual do homem. Mesmo a Ordem é emanada do Criador e tem sido perpetuada até nossos dias por Adão, de Adão para Noé, de Noé para Melquizedeque, portanto a Abraão, Moisés, Salomão, Zorobabel e Cristo. O sentido desta transmissão dogmática é que sempre tem existido uma Tradição Secreta no mundo, e que sucessivas épocas a tem manifestado com sucessivas custódias. È com este sentido que a Ordem diz Ter o propósito de manter o homem e sua virtude primitiva, com seus poderes espirituais e divinos.

Sexto Grau Companheiro Eleito Cohen: o estudante aprende a Caída do Homem. Ele é passado da perpendicular ao triângulo, ou da união do Primeiro Princípio ao da triplicidade das coisas existentes. O grau de Companheiro tipifica essa transição. Ao Candidato desfazer a Queda, na qual seu próprio espírito se acha submerso.


Sétimo Grau Mestre Eleito Cohen: simbolicamente o Candidato passa do triângulo ao círculo. Trabalha nos círculos de expiação que dizem ser seis, em correspondência com as seis concepções utilizadas pelo Grande Arquiteto na construção do Templo Universal. Se explica o simbolismo do Templo de Salomão. Estimula-se os membros deste Grau a caridade, aos bons exemplos e a todos os deveres da Ordem, para a reintegração de seus princípios individuais, simbolizados no Mercúrio, o Enxofre e o Sal.


Oitavo Grau Grande Mestre Eleito Cohen Particular: o candidato entra no círculo da reconciliação. Estimula-o a abraçar a causa da luta contra o mal sobre a terra, que tenta destruir a Lei divina. Devem ser soldados do Reconciliador, o Cristo. Se adverte o candidato a não ingressar em ordens secretas que pervertem os ensinamentos recebidos. Simbolicamente o candidato tem 33 anos.


Nono Grau Grande Arquiteto ou Cavaleiro do Este: simbolicamente o candidato tem 80 anos. É um Grau de Luz e o Templo se abre com todas as luzes acesas. Existem quatro Guardiões, que representam aos quatro ângulos dos quatro pontos cardeais do céu. Se estudam os mistérios das Tábuas Enoquianas de John Dee.


Os membros deste grau se ocupam da purificação de seus sentidos físicos, de modo a poder participar na obra do Espírito Santo. Se lhes instrui a construir novos Tabernáculos e a destruir os antigos. Estes quatro tabernáculos são:


1) O corpo do homem;
2) O corpo da mulher;
3) O Tabernáculo de Moisés;
4) O Tabernáculo do Sol, ou Tabernáculo temporal espiritual no qual o Grande Arquiteto do Universo destinou conter os nomes sagrados e palavras sagradas de reação espiritual e material. Se pronuncia o nome de Cristo pela primeira vez no Rito.


Décimo Grau Grande Eleito de Zorobabel ou Comandante do Este: o Candidato trabalha sobre a Redenção. É muito pouco do que se pode dizer desse Grau.


Décimo Primeiro Grau Cavaleiro Reaux Croix: sem dados. Supõe-se que simboliza a realização de Cristo.


As Ordens Martinistas Modernas
A tradição do Martinezismo ou seja de Martinez de Pasqualy e o pensamento de Saint Martin ou o Martinismo estão disseminados em todo o mundo através destas três ramificações principais:
A ordem que está a mais próxima a Pasqualy é a Ordem dos Chevaliers Elus Cohens de l`Universe com 5 graus.

A ordem mais próxima a Willermoz é Os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa, um rito maçônico antigo que foi reorganizado por ele em 1778.
E há então as Ordens próximas a Papus baseadas no trabalho de Saint Martin, e que foram nomeadas como A Ordem dos Filósofos Desconhecidos (Silencieux Inconnus de Ordre), mas que é mais conhecida como Ordem Martinista ( L`Ordre Martinisme). 

Certamente os Elus-Cohen os Cavaleiros Benfeitores têm a relação mais forte com a maçonaria.
Não há historicamente documentos que comprovem que Saint-Martin fundou realmente uma ordem, entretanto existe um rito maçônico chamado Rito Retificado de Saint Martin, constituída de dez graus, que mais tarde foram reduzidos a sete, a saber: 

1. Aprendiz 2. Artesão ou journeyman 3. Mestre 4. Mestre Antigo 5. Mestre Eleito 6. Grande Arquiteto 7. Mestre Secreto 8. Príncipe de Jerusalém 9. Cavaleiro da Palestina
10. Kadosh 
Posteriormente :
1. Aprendiz 2. Artesão ou journeyman 3. Mestre 4. Mestre Perfeito 5. Mestre Eleito 6. Escocês 7. Santo

Criação da Ordem dos Filósofos Desconhecidos
Quase todas as ordens Martinistas modernas são uma manifestação do bom trabalho de Papus (Dr. Gerard Encausse, 1865-1916), que criou ou se preferirem, revitalizou, o pensamento de Saint Martin durante o período de 1882-91. Recrutou diversos de seus irmãos em 1888 para dar forma ao primeiro conselho supremo Martinista, a fim de regularizar as diversas iniciações Martinistas livres da época. Em 1891 este conselho sob a direção de Papus deram forma a uma organização chamada Ordem Martinista ou Ordem dos Superiores Incógnitos com três graus, é reconhecido que esta Ordem Martinista que foi baseado em dois Ritos Maçônicos extintos: o Rito de Elus-Cohens (de Pasqually) e o Rito Retificado de Saint-Martin De características templárias dividiram a iniciação em três partes: S.I. - P.I. e L.I. Entretanto, com o tempo o grau S.I. (originalmente apenas um grau) foi dividido em quatro partes, como mostramos abaixo, e esta divisão causou muita confusão entre os diferentes ramos do Martinismo. Algumas ordens dividiram-no somente em três partes, e fizeram mais um grau o S.I.I ou Circulo dos Filósofos Desconhecidos. :

1) associado ou (S.I. I) 2) iniciado ou (S.I. II)
3) superior incógnito ou (S.I. III) 4) filósofo desconhecido (P.I.)(S.I. IV) 5) S.I.I. ( Filósofo Desconhecido; P.I.)
6) Livre Iniciador (L.I.)
Certamente alguns Martinistas preferiram continuar seus trabalhos de forma independente. Era Martinistas " livres ". Ainda se tem noticias de que há ainda algum Martinistas livres, independentes não associados com as chamadas Ordens regulares.


As Ordens Sinarquica( Synarchy), Martinista (Ordre Martiniste), e a Ordem Martinista de Elus Cohen (Ordem de Martinist do Elus Cohens) são consideradas theurgicas da linha de Martinez de Pasqually menos mística que as Ordens fundadas com a orientação em Louis Claude de Saint Martin. Há também outras ordens regulares menos conhecidas dentre as quais: ìRussianî que descende de Papus quando de sua visita à corte do Czar Nicholas e a Belgo/ Holandesa. As ordens as mais antigas em existência, derivando-se todas da ordem de Papus são estas: a Ordem Martinista Sinarquica (Synarchy de Martinist), a Tradicional Ordem Martinista TOM (Tradicional de Martinist) e finalmente a Ordem Martinista ( Ordre Martiniste. )


As Ordens Martinistas em geral se reúnem em grupos, dependendo do número de participantes, cada uma possui um nome diferente:
Círculo (sete membros ou menos) , Heptada (sete Membros ou mais) , Loja (vinte e um membros ou mais) . Vale notar que a Tradicional Ordem Martinista somente possui um organismo previsto em sua constituição , a que chamamos de Heptada , que é constituída de no mínimo 21 membros de preferencia SI na sua fundação.


A base dos ensinamentos em todas as Ordens incluem Misticismo Cristão, Teosofia, Kabbalah, Hermetismo, e outros assuntos esotéricos semelhantes. A filosofia Martinista está inspirada no teosofismo clássico e nos trabalhos de Jacob Boehme, Swedenborg, além é claro em Martinez de Pasqually, Jean-Baptiste Willermoz e Louis-Claude de Saint Martin.


A maioria dos historiadores confirmam que foram membros Martinistas dos diversos segmentos proeminentes figuras do mundo esotérico, como: Papus, Arthur Edward Waite, Eliphas Levi, Margaret Peeke, Henri Delaage, Maria Desraimes e Gearges Martin, Helena Petrovna Blavatsky, Coronel Olcott, Annie Besant, James Ingall Wedgwood, Charles Webster Leadbeater e outros, e muitos Rosacruzes e Maçons da Inglaterra, Alemanha, Bélgica, França, e E.U.A.. 


Vamos agora tentar resumir o pensamento e a estrutura das maiores Ordens Martinistas no mundo.
Ordem Martinista de Papus (L`Ordre Martiniste)


É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: 

1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. 


A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: 


1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. 



Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: 


1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.


Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis & Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.
Ordem Martinista Martinezista (L'Ordre Martiniste-Martineziste de Lyons)

É o nome que Detré deu para a ordem em 1916, depois de ter mudado para Lyon e levado a Ordem com ele. Então, poderíamos considerar a Ordem Martinista original de Papus como morta, pelo menos até que depois de vários anos ela fosse reativada pelas inúmeras outras organizações que se fundaram. A linha de sucessão da Ordem Martinista-Martinezista é: 


0. (Papus 1888-1916) 1. Charles DetrÈ (Teder) (1916-1918) 2. Jean Bricaud (1918-1934) 3. Constantin Chevillon (1934-1944) 4. Henri-Charles Dupont (1944-1958) A exigência maçônica de Detrè em 1916, foi a primeira causa da criação de todas as Ordens Martinistas modernas e mistas. 
Ordem Martinista de Paris (L`Ordre Martiniste de Paris)

Fundado em 1951 por Philippe Encausse (o filho de Papus). Ele havia reunido vários Martinistas livres da França e formou a uma ordem baseada da constituição original. 


Phillipe Encausse sendo o Grande Mestre fundiu-se com a Federação das Ordens Martinistas, com A Ordem Martinista e Elus Cohen ( L`Ordre Martiniste e o Martinist Order do Elus Cohen de Robert Ambelain) e removeu a exigência da qualificação maçônica pela qual era determinada a pré-afiliação. Ele resignou como Grande Mestre em 1971, e teve como sucessor Irénée Séguret. Philippe Encausse retomou a direção em 1975 e resigna finalmente em 1979. O Irmão Emilio Lorenzo encabeça atualmente a Ordem. A linhagem é: 


1. Papus (morreu 1916) 2. o Charles Deter ( Teder, morreu em 1918) 3. Jean Bricaud (morreu em 1934) 4. Chevillon (morreu em1944) 5. Charles-Henry Dupont (morreu 1960) 6. Philippe Encausse (se aposentou em 1960) 7. IrÈnÈe SÈruget (1971-74) 8. Emilio Lorenzo (1979) 
Ordem Martinista Belga (L'Ordre Martiniste Belge)
Criado em 1968 e encabeçada pelo astrólogo belga e membro anterior do Conselho Supremo da Ordem Martinista, Gustave-Lambert Brahy. Os membros de seu Conselho Supremo eram: Gustave-Lambert Brahy, Pierre-Marie Hermant, Stéphane Beuze e Maurice Warnon (que resignou em 1975 para trabalhar na Ordem Martinista dos países Baixos). Todos os quatro eram membros anteriores do Conselho Supremo da Ordem Martinista. Esta Ordem desapareceu praticamente com o falecimento de Gustave Brahy em 1991. Há só um Grupo permanecendo, sob a direção de Irmão Loruite. 

Ambas as Ordens Martinista Belga e Países Baixos foram criadas a pedido de Philippe Encausse. A razão disto era a discordância interna na Ordem Martinista sobre qual afiliação religiosa a ordem deveria ter. Muitas religiões independentes e igrejas Gnósticas eram populares entre os Martinistas, mas alguns preferiam o silêncio a aderir a estas igrejas. Quando a Ordem Martinista ( L`ordre Martiniste) em 1968 confirma uma aliança com a igreja Gnóstica (fazendo dela a religião oficial da ordem), muitos membros objetaram a esta limitação da liberdade religiosa. Então, para permitir para os membros mantivessem a liberdade para adorar nas igrejas de sua escolha, eles ofereceram as duas outras ordens como uma alternativa. 
Ordem Martinista dos Países Baixos (L'Ordre Martiniste de Pays-Bas)

Foi introduzido nos Países Baixos em 26 de Setembro de 1968, o Presidente da Federação das Ordens Martinistas localizou em Paris Maurice H. Warnon de Bruxelas (um membro anterior do Conselho Supremo da L`Ordre Martiniste) ele foi designado por Philippe Encausse como Representante Nacional e Soberano para o Países Baixos, com a missão de esparramar as idéias Martinistas e iniciações naqueles países em particular. 


Depois de trabalhar bem de perto na Ordem Martinista francesa, ficou evidente que os membros holandeses objetaram à relação íntima da Organização francesa com a igreja Gnóstica e Apostólica, pois a maioria deles que é de origem protestante. Eles quiseram manter uma liberdade completa de religião. Philippe Encausse sugestionou a criação de um segundo ramo separada da árvore original. 


A decisão pela independência começou em Setembro de1975, durante a reunião anual dos membros da Ordem nos Países Baixos. Uma Constituição nova foi adotada e subseqüentemente, a " Ordem des Martiniste Pagar-Bas " foi fundado 12 de setembro do mesmo ano, pela transmissão dos poderes do Representante Nacional da Ordem Martinista francesa para o Conselho Supremo recentemente criado dos Países Baixos. Os membros de seu Conselho Supremo eram: Maurice Warnon, Augustus Goetmakers, Bep Goetmakers, Femke Iken, Annie Iken e Joan Warnon-Poortman. 


A Ordem Martinista dos Países Baixos não é uma jurisdição territorial, mas uma orientação específica do movimento de Martinista. 
Ordem Martinista dos Elus Cohens (des Ordem Chevaliers Maçons Elus-Cohen de l'Univers)

Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. 


A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: 


1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli 


Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: 
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix 


A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation" em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. 
Ordem Martinista Sinarquica (L'Ordre et de Martiniste Synarchique)

Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. 


Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). 


No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. 


A linhagem de OMS atual: 1. Papus & Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) 


O OM&S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus & Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). 
O tribunal de OM&S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus 


A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre. 
Tradicional Ordem Martinista (L'Ordre Martiniste Traditionnel)

A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. 


A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) 

Sucessões iniciáticas: 1. Papus & Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis 
1. Papus & Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. 
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: 
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.


O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.

Fonte: www.hermanubis.com.br
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